WGLEYSSON DE SOUZA

INSS no olho do furacão: rombo bilionário expõe sistema corroído pela corrupção
Investigações revelam um esquema bilionário de fraudes e descontos ilegais no INSS, expondo falhas estruturais que atravessam governos e transformam o órgão em palco de corrupção e descaso.

Espero, sinceramente, que essa investigação não acabe em pizza. Mas é preciso admitir: a situação do INSS é muito mais grave do que a maioria de nós pode imaginar. O que se descortina com as apurações da Polícia Federal e agora com a análise do Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro André Mendonça, é mais que um crime – é o retrato cruel de um sistema corroído.
A chamada “Operação Sem Descontos” já revelou um assalto silencioso contra os mais vulneráveis: aposentados e pensionistas. Estima-se um rombo de mais de R$ 6,3 bilhões em descontos ilegais entre 2019 e 2024. Fraudes que não são obra do acaso, mas resultado direto da fragilidade de um órgão que deveria ser porto seguro, mas que há muito se tornou convite aberto à corrupção.
Não é coincidência que, enquanto criminosos agem, os sistemas do INSS apresentam falhas recorrentes. Só em um mês recente, plataformas ficaram fora do ar por mais de 51 horas, deixando milhares de brasileiros sem acesso a serviços básicos e abrindo ainda mais brechas para fraudadores. Esse caos não é acidental – é fruto de anos de descaso e de gestões que transformaram o instituto em cabide de empregos e balcão político.
Para se ter dimensão, uma única investigação da Polícia Federal mostrou que um grupo no Rio de Janeiro pode ter desviado R$ 56 milhões em aposentadorias indevidas. E isso é apenas a ponta do iceberg. Relatórios da própria auditoria do INSS revelam que entre janeiro de 2023 e maio de 2024 os descontos ilegais somaram mais de R$ 45 milhões.
O ministro do Trabalho chegou a admitir que, nos primeiros anos da atual gestão, os “alarmes foram desligados”. Uma frase contundente, que aponta não apenas falha, mas cumplicidade silenciosa. A corrupção não tem partido nem governo específico: ela atravessa gestões, sustentada por uma lógica perversa onde a fiscalização falha, a burocracia sufoca o cidadão e abre espaço para o crime prosperar.
A verdade é incômoda: o INSS, que deveria amparar quem trabalhou a vida inteira, se tornou um sistema viciado, lento e vulnerável. Enquanto isso, políticos – na União, estados e municípios – preferem fechar os olhos, quando não se aproveitam do sistema para benefício próprio ou de apadrinhados.
O resultado é um ciclo vicioso que sacrifica o aposentado, mina a confiança da sociedade e mantém o Brasil preso a um modelo de corrupção estrutural. Não faltam exemplos, mas sobram omissões. E até hoje, nenhum governo, de fato, teve coragem de enfrentar essa realidade.
Quantas quadrilhas ainda operam dentro do INSS? Quantos bilhões já foram roubados sem que o povo sequer soubesse? Quantos políticos escolheram o silêncio por conveniência?
Infelizmente, quando pensamos que a corrupção diminui, ela apenas muda de rosto. E seguimos sendo servos de um sistema político que governa para si, não para o povo. Um sistema que só mudará quando homens e mulheres de coragem, raros na cena pública brasileira, tiverem disposição de desmontar essa engrenagem.
Até lá, aposentados e pensionistas – aqueles que mais precisam – continuarão pagando a conta desse assalto institucionalizado.
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